Juventude e políticas sociais

“O desemprego é um problema cada vez mais grave para os jovens entre 15 anos e 29 anos, que já respondem por 46% do total de indivíduos nesta situação no país – a propósito, a razão desemprego juvenil/adulto aumentou para 3,5 nos últimos anos”, constata Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas em artigo, escrito conjuntamente com Jorge Abrahão de Castro, diretor da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA, publicado no jornal Valor, 15-05-2008.

Eis [trechos d]o artigo.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou recentemente um texto para discussão intitulado “Juventude e Políticas Sociais no Brasil”, em que desvenda uma série de aspectos do relacionamento entre a população juvenil e o conjunto da sociedade brasileira.

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Apenas 48% das pessoas entre 15 anos e 17 anos cursam o ensino médio e somente 13% daquelas entre 18 anos e 24 anos estão no ensino superior – revelando o significativo descompasso existente entre a idade e a escolarização dos jovens.

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O desemprego é um problema cada vez mais grave para os jovens entre 15 anos e 29 anos, que já respondem por 46% do total de indivíduos nesta situação no país – a propósito, a razão desemprego juvenil/adulto aumentou para 3,5 nos últimos anos. A qualidade da ocupação é outro problema sério – 50% dos ocupados entre 18 anos e 24 anos são assalariados sem carteira, porcentagem que se mantém em 30% entre os que têm de 25 anos a 29 anos de idade.

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Esse cenário enfrentado pela juventude desperta preocupações na sociedade civil e também no Estado brasileiro. Desde – pelo menos – o final dos anos 1990, há uma extensa rede de organizações da sociedade civil que têm, entre seus focos de atuação, a temática juvenil.

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Mais do que uma etapa crítica na trajetória de vida dos indivíduos e, paralelamente, mais do que uma fase preparatória para a vida adulta, a condição juvenil possui “valor” por si mesma. Ademais, exige uma série de políticas públicas gerais, e também específicas, que se mostrem aptas a minimizar os riscos e os problemas já citados, bem como maximizar as oportunidades de inserção econômica, social, política e cultural dos jovens.

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No sentido de possibilitar a estruturação de uma Política Nacional de Juventude no país, o governo federal criou em 2005 a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), que atuaria com o apoio do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) na implementação do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem).

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Acerca disso, há relativo consenso entre os participantes do debate de que a condição juvenil demanda a articulação de políticas gerais com políticas específicas, além da integração de políticas coordenadas por diversas instituições, de distintos setores do Estado brasileiro. Aliás, um indicador da importância de se promover a articulação de políticas para a juventude pode ser medida pela atual multiplicidade de conceitos de “juventude” entre os programas estatais. A operacionalização de cada um desses programas conta com diferentes faixas etárias, cada qual focando em uma parcela da população juvenil.

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Enfim, os milhões de jovens enfrentam riscos e problemas que só serão superados com a mobilização social e política das organizações da sociedade civil, bem como com a estruturação de políticas públicas gerais e específicas, de diversas origens e naturezas, que devem se articular e integrar para a abertura de oportunidades de inserção dos jovens na sociedade brasileira.

Leia na íntegra em: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=14156
Para ler mais:
Trabalho(?) imaterial – Algumas considerações sobre a entrevista de Marcio Pochmann

Portugal aprova o acordo ortográfico

Notícia do Correio da Manhã, de Lisboa:

16 Maio 2008 – 14h47

Quadro deputados votaram contra

Parlamento aprova Acordo Ortográfico

O Parlamento aprovou esta sexta-feira o Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico. PS, PSD, BE e sete deputados do CDS-PP votaram favoravelmente o diploma.

O documento tem suscitado alguma controvérsia e nem dentro do Parlamento as vozes foram unânimes. Do PS, Manuel Alegre votou contra, bem como dois deputados do CDS-PP e Luísa Mesquita, parlamentar independente.
No PSD, três deputados, Henrique Freitas, Regina Bastos e Zita Seabra, que invocou “conflito de interesses” por ser editora, além de Matilde Sousa Franco (PS) abandonaram o hemiciclo antes da votação.
PCP, PEV e três deputados do CDS, entre os quais Paulo Portas, abstiveram-se.

Extraído de acesso http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentID=53CC62BD-2375-4EAB-9F06-0857490D0A94&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021 em 17 maio 2008.

Quem ganhou no referendo de 4 de maio?


Deu na Agência Carta Maior:

Após aluns resultados e diagnósticos incertos, os dois lados em disputa reivindicam para si o triunfo no referendo sobre o Estatuto Autonômico realizado no Departamento de Santa Cruz no dia 4 de maio. Como determinar quem está com a razão? A análise é de Marta Harnecker.

Marta Harnecker- Rebelión

Para poder julgar ou medir os resultados de uma ação é fundamental levar em conta qual era o objetivo que cada ator buscava com ela. A oligarquia de Santa Cruz perseguia uma assistência massiva às urnas: era a única maneira de tirar força do argumento de peso do governo sobre a ilegalidade do processo; se conseguisse esse objetivo, poderia, então, argumentar que mesmo não sendo um processo legal era um processo legítimo, o povo teria, massivamente, manifestado seu sentir com respeito ao Estatuto Autonômico e o governo teria que levar em conta esse sentimento popular.

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A esta consigna da abstenção promovida pela propaganda oficial foi acrescentada posteriormente a consigna de votar NÃO, consigna que lançaram alguns setores pensando nas pressões que estava usando a oposição para obrigar a população a ir às urnas.

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A partir desta análise, o governo e seus seguidores podem se dar por satisfeitos. Contudo, terão que se perguntar se é possível falar em triunfo quando pouco mais da metade da população eleitoral de Santa Cruz foi contra o projeto de país que Evo Morales representa e apoiou, conscientemente ou sob manipulação, os grandes grupos oligárquicos que dominam econômica, ideológica e politicamente essa região.

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Parece mais provável que nisto também tenham pesado erros e fraquezas do próprio governo e do MAS, seu instrumento político fundamental (1). Por acaso não é verdade que Evo Morales não convocou a votar NÃO pelas autonomias no referendo autonômico de 2006, realizado no mesmo momento em que eram escolhidas as pessoas que formariam a Assembléia Constituinte, deixando a bandeira da autonomia em mãos da reação (algo que os próprios dirigentes do MAS reconheceram depois)? Por acaso não é verdade que foram aplicados à parte oriental do país esquemas organizativos e critérios que se chocam com a idiossincrasia própria dessas terras? Não é real a tendência a catalogar como oligarcas secessionistas todos aqueles que, seguindo um sentimento que vem de gerações, tem-se manifestado a favor da autonomia, ignorando as contradições que existem entre os grandes oligarcas pró-imperialistas e uma parte importante dos setores médios urbanos brancos que —apesar de serem críticos a determinadas políticas e ações do atual governo— em linhas gerais apóiam-no, porque representa, finalmente, a dignificação dos povos indígenas e a afirmação da soberania da pátria?

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O que essa oligarquia buscava, e continua buscando, é a derrocada do primeiro presidente indígena da América Latina, para voltar a controlar as imensas riquezas da região, que começaram a ser controladas pelo Estado, sendo ratificada em Primeiro de Maio a decisão do governo de avançar nesse sentido com os anúncios da recuperação do controle majoritário de quatro transnacionais petroleiras e a nacionalização de ENTEL, a companhia de telecomunicações. Uma oligarquia que nunca compreendeu o chamado a realizar uma verdadeira reforma agrária e a distribuir mais eqüitativamente a riqueza na América Latina, chamado feito, há quase meio século, pelo Presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. É preciso considerar que quem fez esse chamado era um liberal burguês, que jamais poderia ser catalogado como comunista, e que o fez visando deter o avanço da revolução na nossa América.

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E por falar em unidade, gostaria de lembrar as seguintes palavras de Fidel, o grande artífice da unidade do povo cubano:

“Eu também pertenci a uma organização. Mas as glórias dessa organização são as glórias de Cuba, são as glórias do povo, são as glórias de todos. E eu, um dia —acrescenta—, deixei de pertencer a essa organização. Que dia foi esse? O dia [em] que nós fizemos uma revolução maior que a nossa organização [...] E ao marchar através de vilas e cidades, vi muitos homens e muitas mulheres; centenas, milhares de homens e mulheres tinham seus uniformes vermelhos e pretos do Movimento 26 de Julho; mas muitos outros milhares tinham uniformes que não eram vermelhos nem pretos, mas camisas de trabalhadores e de camponeses e de homens humildes do povo. E a partir desse dia, sinceramente, no mais profundo do meu coração, passei daquele movimento que todos amávamos, sob cujas bandeiras lutaram os companheiros, passei para o povo; pertenci ao povo, à revolução, porque realmente tínhamos feito algo superior a nós mesmos.” (2)

(1) Sobre esta organização política “sui generis” aparecerá muito em breve o livro-testemunho MAS IPSP de Bolivia. Partido que se construye desde los movimientos sociales, de Marta Harnecker e Federico Fuentes.

(2) Fidel Castro, Discurso de 26 de maio de 1962, em Obra revolucionaria Nº11, 27 março, 1962, pp.36—37. Texto citado em Marta Harnecker, La estrategia política de Fidel . Del Moncada a la victoria, várias edições na América Latina.


Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14998

Querida Marina


Deu na Adital:
Frei Betto *

Adital -
Caíste de pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudoloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.

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Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará este plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, hidrelétricas, madeireiras e empresas do agronegócio? Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e transformar o nosso país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.

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É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados. Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.

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Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão – os agressores ao meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de se proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que “índio atrapalha o progresso”. Defendeste com ousadia nossas florestas, biomas e ecossistemas, incomodando a quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas aos direitos das futuras gerações.

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Retorna à tua cadeira no Senado. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum. Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: “É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia. Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?”

Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.

* Frei Betto, dominicano, escritor, autor de “A Obra do Artista – uma visão holística do Universo”, (Ática), entre outros livros.
Leia na íntegra em http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33061

Luzes da Terra

Deu no Esquerda.net:


Imagem de satélite da Terra iluminada durante a noite, em Junho de 2006.

Luz e sombra

Esta imagem satélite, através da luz artificial usada à noite no planeta, condensa algumas das informações que os mapas feitos com critérios de densidade populacional, acidentes naturais ou redes viárias apresentam de forma gráfica.

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Uma linha dorsal cheia de afluentes atravessa a Ásia de leste para oeste, correspondendo a cidades, estradas e linhas ferroviárias. No sudeste africano, a linha quase recta de sudeste para noroeste corresponde ao que se chama o corredor da Beira, a estrada que liga o porto da Beira a Harare, seguindo para Lusaka, rumando depois a norte para Lubumbashi na R.D. Congo.

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Tal como os recursos energéticos, outros recursos naturais e matérias primas são consumidos na sua maioria nos países mais desenvolvidos, independentemente da sua proveniência. Milhões de pessoas vivem ao lado, por cima ou à sombra de recursos e riquezas naturais de que nunca chegam a beneficiar.

Texto de Nuno Milagre

Imagem retirada daqui

Leia na íntegra em http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=6685&Itemid=1

Marina, que transversalidade queremos?


Deu na Agência Carta Maior:

A alegria dos representantes do agronegócio indica um dos principais significados da saída de Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente. É o caso de repensar se queremos a hegemonia ou pretendemos deitar eternamente no berço esplêndido de um “Estado de Compromisso”.

Gilson Caroni Filho

Duas características marcaram a passagem de Marina Silva pelo governo Lula: o espírito missionário e a lealdade pessoal ao presidente. Com a têmpera de quem superou cinco malárias, duas hepatites e uma leishmaniose, a herdeira política de Chico Mendes travou, nem sempre com sucesso, vários “empates” durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente. Perdeu, sem dúvida, mas jamais recuou.

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O aumento de poder da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), cujos pareceres sobre pesquisa e comercialização passaram a ter caráter vinculativo, foi a maior derrota da ministra que um dia acreditou ser possível – através da prática de ações transversais para a construção de sustentabilidade – “interferir nos projetos de desenvolvimento, das rodovias aos leilões de petróleo.”

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O meio ambiente, como destacou o ambientalista Fran Araujo, deve ser um fator de primeira ordem na tomada de decisão sobre políticas de desenvolvimento econômico. Imaginá-lo como algo que deve ser protegido depois que impactos adversos tenham ocorrido é confundir bagres com índios, caboclos e pescadores dentro de um imaginário produtivista que peca pela pouca inteligência.

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Talvez a questão seja mais complexa do que imagina o presidente. Transversalidade, quando a comunidade internacional financia projetos para contrapartidas de responsabilidade sócio-ambiental, não é uma “palavrinha mágica”. E a companheira Marina se foi porque a política dela não conseguiu se viabilizar ante as pressões do agronegócio, o velho latifúndio remodelado semântica e politicamente.

Se um momento histórico pode ser avaliado pela reação dos atores diretamente envolvidos, convém observar quem festeja a saída da ministra. Uma rápida leitura da Folha de S. Paulo não deixa margem para dúvidas:

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“Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos líderes da bancada ruralista na Câmara, lembrou que Marina dificultou os avanços na área tecnológica. “Os problemas que ela criou o próprio governo é que tem de explicar.”

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A alegria desses personagens dá a exata dimensão da tragédia. É o caso de repensar se queremos a hegemonia ou pretendemos deitar eternamente no berço esplêndido de um “Estado de Compromisso”.

Marina deixou o governo com a mesma dignidade em que nele atuou. Sai do cargo com a certeza de que a aposta no governo Lula ainda é a melhor alternativa. Novos empates a esperam no Senado e deles, mais uma vez, ela não fugirá.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.
Leia na íntegra em http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3888

Desafios rurais chineses


Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por Wladimir Pomar
13-Mai-2008

O desenvolvimento mais rápido da indústria e dos centros urbanos chineses, a partir de 1984, acelerou o tradicional desequilíbrio entre o valor dos produtos industriais e o valor dos produtos agrícolas, entre as rendas urbanas e rurais, e entre as regiões predominantemente agrícolas e as regiões predominantemente urbanas, além de pressionar as áreas agrícolas por mais terras, requeridas pelas novas zonas de desenvolvimento econômico.

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A questão agrária tornou-se, talvez, na mais séria. A expansão urbana fez as terras rurais convidativas, levando muitos governos locais a expropriá-las, para resolver seus problemas orçamentários e promover o desenvolvimento urbano. Porém, ao aproveitar-se do sistema coletivo de aldeia, que proíbe aos lavradores possuírem, comprarem ou venderem o solo que lavram, esses governos pagaram aos camponeses compensações miseráveis, excluíram parcelas camponesas dos ganhos do desenvolvimento, e causaram danos à produção agrícola.

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Esses procedimentos têm causado constrangimento aos governos locais, ao mesmo tempo em que encontram oposição dos governos provinciais e central. Eles estão gerando caos no mercado imobiliário, criando uma situação ameaçadora sobre o uso do solo na China, e espraiando um desequilíbrio social profundo. Enquanto algumas aldeias procuram resolver a situação estabelecendo contratos de aluguel em uso perpétuo com os camponeses, muitos destes se empobrecem, ao transformar-se em comerciantes de terras, e acabam engrossando o êxodo para as áreas urbanas.

Nessas condições, o desenvolvimento global do país, espraiando a urbanização das zonas rurais, acompanhada de um desenvolvimento mais lento da agricultura, num sistema que combina planejamento e propriedade estatal com mecanismos de mercado e propriedade privada, fez surgir uma nova questão agrária e uma nova questão camponesa na China.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.
Leia na íntegra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1801/46/

O preço da gasolina e o futuro


Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por
Diomedes Cesário da Silva
13-Mai-2008

Você já deve ter lido que a gasolina nos postos dos EUA é mais barata que no Brasil. Mas, se lá os moradores têm poder aquisitivo superior ao daqui e se importam mais da metade do petróleo consumido internamente, por que isso acontece? Considerando nossa baixa estima de subdesenvolvidos, a resposta imediata poderia ser: porque são mais eficientes e capazes que nós. Na verdade, não é bem assim.

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A diferença, entretanto, aparece nos impostos: são cerca de US$ 1,20 na Europa, US$ 0,60 no Brasil, US$ 0,40 no Chile, US$ 0,30 na Argentina e apenas US$ 0,10 nos EUA. Os dados, com informações mais detalhadas sobre outros combustíveis e o detalhamento dos impostos pagos, podem ser vistos no sítio http://www.petrobras.com.br/, clicando no título ‘Para você e seu automóvel/Composição de Preços’.

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Os engarrafamentos cada vez maiores nas grandes cidades como Rio e São Paulo, o aumento desenfreado de venda de carros, os gastos com estradas, viadutos e desapropriações para abrir espaço para os novos veículos devem nos fazer parar para pensar qual o modelo que devemos seguir: o americano que está sendo forçado a mudar, ou o europeu, incentivando o transporte de massas?

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O petróleo é matéria prima para milhares de produtos, do plástico ao remédio e a química fina. Temos de ter em mente que é um recurso não renovável, formado ao longo de milhões de anos e não temos o direito de esgotá-lo predatoriamente em detrimento das futuras gerações, vendendo hoje o que terão que importar a um custo muito superior amanhã.

Diomedes Cesário da Silva é vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET). Leia na íntergra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1798/58/


O Pentágono admite que cremou fuzileiros mortos no Iraque em crematórios para cachorros

El Pentágono admite que incineró a marines caídos en Irak en crematorios para perros

EFE. 11.05.2008 – 11:59h

  • El Departamento de Defensa de EE UU pide perdón a las familias y asegura que no volverá a ocurrir.
  • Ocurrió en el estado de Delaware, también con soldados de Afganistán.
  • Según la versión oficial, nunca se incineraron juntos cuerpos de animales y personas.

El Pentágono admitió ayer que ha incinerado cadáveres de soldados estadounidenses muertos en Irak y Afaganistán en un crematorio para animales de compañía, y ordenó modificar los procedimientos para la incineración de los cuerpos de los marines caídos.

“No hay misión más importante que el retorno digno a sus familias de nuestros héroes caídos”, señaló Geoff Morrell, portavoz del Departamento de Defensa, al hacer el anuncio. Fuentes militares aseguraron que no se incineraron animales y seres humanos juntos, pero precisaron que de ahora en adelante, el Departamento de Defensa solo utilizará instalaciones de incineración de casas funerarias.

“Es insensible e inadecuado
para el tratamiento digno
de los caídos”

La instalación afectada por la medida era un depósito de cadáveres en la base Dover de la Fuerza Aérea, en el estado de Delaware, hasta donde son trasladados los restos mortales de militares fallecidos en Irak y Afganistán.

El secretario de Defensa, Robert Gates, piensa que es “insensible y totalmente inadecuado para el tratamiento digno de quienes han caído”, dijo Morrell y agregó que “el secretario ofrece sus más profundas disculpas a los familiares” de quienes han muerto.

Sacrificio

“Este departamento hará todo lo posible para respetar el principio de que los restos de todos los miembros de las Fuerzas Armadas sean tratados con la dignidad y el respeto que exige su sacrificio”, prometió. La denuncia se conoció después de que un soldado asistiera a la incineración de un militar que murió en combate, y dijese que el crematorio se encontraba en una zona industrial que anunciaba sus servicios para personas y animales.

Más de 4.070 soldados han muerto en Irak desde que las tropas estadounidenses invadieron ese país en 2003. Casi 500 han perecido en Afganistán desde que las tropas norteamericanas derribaron el régimen talibán a finales de 2001.

Extraído de http://www.20minutos.es/noticia/377557/0/cadaveres/soldados/irak/ acesso em 13 maio 2008.

“… e chamar-se-á Estado de Israel.”


Deu no Esquerda.net:
13 maio 2008

Por
Uri Avnery

Cada vez que ouço a voz de David Ben-Gurion pronunciando as palavras “Assim sendo, estamos hoje reunidos em assembleia…”, lembro-me de Issar Barsky, irmão mais jovem de uma namorada que tive. A última vez que o vi, estávamos em frente ao refeitório do Kibbutz Hulda, numa 6ª-feira, dia 14 de Maio de 1948.

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Francamente, os discursos dos políticos em Telavive não nos interessavam muito. A cidade parecia-nos muito distante. O Estado, sabíamos, estava onde estávamos, em nós, connosco. Se os árabes vencessem, não haveria nem Estado, nem “nós”. Se vencêssemos, haveria Estado. Éramos jovens e autoconfiantes, e nem por um momento duvidávamos de que venceríamos.

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Portanto, corri para o refeitório. A voz inconfundível de Ben-Gurion soava na rádio. Quando disse “…e chamar-se-á Estado de Israel”[1], que era o que me interessava saber, saí do refeitório.

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Issar foi morto alguns dias depois. Por isto lembro-me dele como estava naquele dia: 19 anos, sorridente, um Sabra cheio de inocência e alegria de viver.

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Veria um Estado que se desenvolveu muito mais do que nos seus mais entusiasmados sonhos de adolescente. De uma pequena comunidade de 635 mil almas (contados os 6.000 que morreriam com Issar naquela guerra), há hoje mais de 7 milhões de habitantes em Israel. Dois grandes milagres locais – o renascimento do idioma hebraico e a instituição da democracia israelita – continuam a ser realidade. A economia é forte e nalguns campos – a alta tecnologia, por exemplo – Israel está entre os primeiros do mundo. Issar sentir-se-ia entusiasmado e orgulhoso.

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Sobretudo, Issar descobriria, chocado, que a guerra brutal que o matou e me feriu, além de matar e ferir milhares de outros, continua, sem trégua. A guerra comanda toda a vida de Israel. Enche as páginas dos jornais e está nas chamadas de todos noticiários de televisão.

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Naquela noite realmente atacámos al-Qubab. Quando entrámos na vila, já estava vazia. Entrei numa das casas. A chaleira ainda estava quente, a mesa estava servida. Numa prateleira, havia fotos: um homem que visivelmente havia penteado cuidadosamente os cabelos, uma mulher em trajes locais, duas crianças. Guardo-os comigo, até hoje.

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Não há como escapar do facto histórico: o Dia da Independência de Israel e a Nakba (“catástrofe”) dos palestinianos são dois lados da mesma moeda. Em 60 anos, Israel não conseguiu – de facto, Israel nem sequer tentou – criar outra realidade, para desatar este nó.

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Ao aproximar-se o 60º Dia da Independência, criou-se um comité para escolher um símbolo para o evento. Escolheram algo que teria hipóteses num concurso para escolher o símbolo da Coca-Cola ou do festival “Eurovisão” da canção.

O verdadeiro símbolo do Estado de Israel é outro, diferente, e não foi inventado por um comité de burocratas. Está posto no chão e pode ser visto de longe: o Muro. O Muro da Separação.

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Aparentemente, separa a israelita Kfar Sava e a palestiniana Qalqiliyah, fica entre Modi’in Illit e Bil’in. Entre o Estado de Israel (e mais terra roubada) e os Territórios Palestinianos Ocupados. Na realidade, separa dois mundos.

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O Muro da separação é a fronteira entre estes dois mundos.

O Muro não é só uma estrutura de arame e betão. Mais que tudo, o Muro – como todos os muros – é uma declaração ideológica, uma declaração de intenção, uma realidade mental. Os construtores declaram-se proprietários, alinham-se de corpo e alma num dos lados, o lado ocidental; e declaram que do outro lado do muro, do lado de “lá”, começa o mundo oposto, o inimigo, as massas de árabes e outros muçulmanos.

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Há 102 anos, Theodor Herzl escreveu no seu livro-manifesto Der Judenstaat[3], do qual nasceu o movimento sionista, uma sentença carregada de significado: “Para a Europa, constituiremos lá [na Palestina] um sector do muro contra a Ásia, serviremos como linha da frente, uma vanguarda de cultura, contra a barbárie.”

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A imagem é clara, ofuscante: Israel é parte da Europa (como a América do Norte), é parte da cultura, que é exclusivamente europeia. Do lado de “lá”, a Ásia, continente bárbaro, sem cultura, e “lá” é o mundo árabe muçulmano.

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A máxima de Herzl não sobreviveu apenas como pensamento abstracto. O movimento sionista nasceu dela, no primeiro momento, e o Estado de Israel mantém-na viva até o dia de hoje.

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Um mês antes de eclodir a guerra de 1948, sete meses antes de o Estado de Israel ter sido oficialmente constituído, publiquei um folheto intitulado “War or Peace in the Semitic Region”. Começava assim:

“Quando os nossos pais sionistas decidiram criar um “paraíso seguro” na Palestina, podiam escolher entre dois caminhos:

Podiam mostrar-se ao oeste da Ásia como o conquistador europeu, que se vê como cabeça-de-ponte da raça ‘branca’ e senhor dos ‘nativos’, como os conquistadores espanhóis e os colonialistas ingleses na América. Como, em seu tempo, os Cruzados, na Palestina.

A outra via era verem-se eles mesmos como um povo asiático que voltava à terra de origem – vendo-se como herdeiros da tradição política e cultural da região semita.”

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Houve as invasões que vieram do Oeste, os gregos, os romanos, os cruzados, Napoleão e os britânicos. Invasões deste tipo visaram implantar uma cabeça-de-ponte. Estes invasores pensavam como cabeça-de-ponte. A região é território hostil, a população é inimiga, é preciso oprimi-la ou destruí-la. No fim, todos estes invasores foram expulsos.

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Os antigos israelitas classificam-se no segundo tipo. Embora haja dúvida sobre o Êxodo do Egipto narrado nos Livros de Moisés, ou sobre a Conquista de Canã narrada no Livro de Josué, pode-se aceitar que fossem tribos que vieram do deserto e se infiltraram-se nas cidadelas fortificadas de Canã que não poderiam conquistar, como se lê em Juízes1.

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Uma das peculiaridades nacionais dos israelitas é uma modalidade de discussão na qual todos os participantes, sejam de esquerda ou de direita, argumentam ‘por clinch’, como no boxe: “Se não fizermos tal e tal coisa, desaparecerá o Estado de Israel!” Alguém imagina este argumento na França, na Inglaterra, nos EUA?

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A existência do Estado de Israel não me preocupa. O Estado de Israel existirá enquanto existirem Estados. O problema é: que tipo de Estado haverá em Israel?

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Ou um Estado que vive em paz com os Estados vizinhos, para benefício mútuo; uma sociedade moderna com direitos iguais para todos e sem miséria; um Estado que investe os seus recursos em ciência e cultura, na indústria e na preservação do meio ambiente; no qual as futuras gerações desejarão viver; fonte de orgulho para todos os cidadãos?

Que este seja o objectivo de Israel para os próximos 60 anos. Acho que este também seria o desejo de Issar, para o futuro de Israel.

Uri Avnery, 3/5/2008, “…Namely, the State of Israel”, em Gush Shalom (GRUPO DA PAZ), na Internet, em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1209841842/
Tradução do blogue do Bourdoukan, adaptado para português de Portugal por Carlos Santos

[1] O texto da Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel (14/5/1948) pode ser lido, em inglês, em http://www.mfa.gov.il/MFA/Peace%20Process/Guide%20to%20the%20Peace%20Process/Declaration%20of%20Establishment%20of%20State%20of%20Israel

[2] Entidades do folclore da região, que aparecem tanto na Bíblia hebraica quanto no Corão. Sobre “Gog e Magog” ver http://en.wikipedia.org/wiki/Gog_and_Magog (em inglês).

[3] O Estado judeu, 1896.

Leia na íntegra em http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=6711&Itemid=130

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